Setembro – Mês de muitas cores e causas

Por: Consolidar Diversidade

Você já deve ter notado que os meses têm “cor” como o Agosto Dourado, destinado as informações sobre o aleitamento materno, Outubro Rosa, dedicado à conscientização sobre o câncer de mama, criado na década de 90 nos EUA. Setembro é um mês de muitas cores, causas e propósitos.

O Setembro Amarelo é a cor escolhida para a campanha brasileira de prevenção ao suicídio, iniciada em 2015 cuja ideia é promover eventos que abram espaço para debates sobre suicídio e divulgar o tema, alertando a população sobre a importância de sua discussão. O Setembro Verde identifica mais de uma causa, que incentiva vários debates e reflexões por parte de toda a sociedade, acerca:

–  da doação e do transplante de órgãos;

–  do câncer de intestino;

–  da luta das Pessoas com Deficiência pelos seus direitos e inclusão.

Na comunidade surda o mês de Setembro é Azul. A cor escolhida é uma homenagem às pessoas surdas que morreram na Alemanha durante o nazismo, pois eram identificadas com uma faixa azul amarrada ao braço, e setembro porque neste mês comemora-se várias datas importantes, como:

  • Dia nacional de luta da Pessoa com Deficiência, 21;
  • Dia Nacional do Surdo e aniversário do Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES), 26;
  • Dia internacional das línguas de Sinais, 23 e
  • Dia Internacional do Surdo, 30.

O mês oferece a oportunidade para aumentar a conscientização sobre a importância da língua de sinais para os Surdos, para inclusão, fortalecimento de sua identidade e cultura, assim como promover o uso dela na sociedade.

Por isso a importância do dia  23 de setembro, data escolhida  pela Federação Mundial dos Surdos (WFD sigla em inglês para World Federation of the Deaf), celebrada desde 2018, em homenagem a criação da WFD, nascida há 68 anos,  emblemática  organização, desde seu surgimento,  que tem por objetivo defender a preservação das línguas de sinais e a cultura dos surdos Internacionalmente.

Isso posto, comemoremos o azul, comemoremos as lutas e acima de tudo as conquistas que cada pessoa surda obteve a duras penas o direito de ser quem ela é, de se comunicar por meio de sua língua natural e de se expressar livremente.

O objetivo do Setembro Azul não é só comemorarmos mas sim continuarmos lutando  e respeitando o outro como ele é. Como forma de traduzir o que isso significa, termino com uma frase do psiquiatra surdo norueguês Terje Basilier, citado por Ferreira Brito (1993, p. 75) […] quando eu aceito a língua de outra pessoa, eu aceitei a pessoa […]. Quando eu rejeito a língua, eu rejeitei a pessoa, porque a língua é parte de nós mesmos […]. Quando eu aceito a língua de sinais, eu aceito o surdo, e é importante ter sempre em mente que o surdo tem o direito de ser surdo.

FERREIRA BRITO, Lucinda. Integração social & educação de surdos. Rio de Janeiro: Babel, 1993.

Por Soraya Machado Tuqui – fundadora da empresa ALPHA LIBRAS, parceira da Consolidar


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