Síndrome de Down. Uma característica, inúmeras possibilidades

Por: Lincoln Tavares de Melo

21 de março – Dia Internacional das pessoas com síndrome de Down.

Quando crianças pensamos em ser bombeiro, repórter, ator ou atriz, empresário (a) ou empreendedor (a), ou quem sabe trabalhar em uma empresa multinacional. Também sonhamos em ser professor (a), modelo ou quem sabe ainda entrar para a política e ser, quem sabe vereador (a) da nossa cidade. São tantas as possibilidades! E por que não ser professor (a) de Yoga ou Zumba? Somos cercados por pessoas que insistem em tentar nos dizer o que podemos e não podemos fazer, e com o passar do tempo não é que acreditamos muitas vezes nessas pessoas?

O tal sucesso profissional está cercado de estereótipos que tentam nos dizer o que podemos e o que não podemos fazer. Do que é “profissão de homem” e “profissão de mulher”, da profissão que combina mais com “ser nerd” ou “descolado (a)”, jovem ou maduro, alto ou baixo, preto ou branco. Mas uma coisa é certa no final das contas: rótulos e estereótipos não nos impulsionam, apenas dos restringem. Mas também somos cercados de inspiração. Sim! Lembram das profissões dos sonhos citadas acima? Vamos dar vida a elas?

  • Jéssica Pereira, 25 anos, jovem empreendedora, é fundadora de um café bistrô e um buffet em São Paulo;
  • Ariel Goldenberg, 38 anos, é ator e produtor artístico brasileiro;
  • Débora Seabra, 35 anos, professora. Tem uma escola particular em Natal (RN), é palestrante e escritora de livros infantis;
  • Geórgia Furlan, 15 anos, modelo catarinense;
  • Fernanda Honorato, repórter da TV Brasil, também atua no teatro, faz dança cigana e é atleta de natação;
  • Lafarge Alvaro Sanchez, 21 anos, é um bombeiro argentino;
  • Ángela Bachiller, 38 anos, vereadora espanhola;
  • Cláudio Aleoni, 33 anos, campeão paulista de hipismo;
  • Yulissa Arescurenaga, 24 anos, norte-americana, Instrutora de Zumba;
  • Jéssica Persons, norte-americana, Instrutora de Yoga;
  • John Cronin, 21 anos, empresário americano, vende meias coloridas e estilosas.

O que essas pessoas têm em comum, além de serem bem-sucedidas? Respondemos: todas tem síndrome de Down. Sim, são pessoas que hoje estão celebrando o seu dia. 21 de março é o Dia Internacional da síndrome de Down. A data é uma oportunidade para celebrar as conquistas e conscientizar sobre a importância de promover a igualdade de condições, acesso a oportunidades e inclusão para todas essas pessoas que, segundo estimativas (já que não há um dado oficial)  com base na relação de 1 para cada 700 nascimentos, levando-se em conta toda a população brasileira, podemos chegar a cerca de 270 mil pessoas teriam síndrome de Down no Brasil.

Segundo informações da ONG Movimento Down, os seres humanos têm, normalmente, 46 cromossomos em cada uma das células de seu organismo. Esses cromossomos são recebidos pelas células embrionárias dos pais, no momento da fecundação. Vinte e três vêm dos espermatozoides fornecidos pelo pai e os outros 23 vêm contidos no óvulo da mãe. Juntos, eles formam o ovo ou zigoto, a primeira célula de qualquer organismo. Essa célula, então, começa a se dividir, formando o novo organismo. Isso quer dizer que cada nova célula é, em teoria, uma cópia idêntica da primeira.

Ana Claudia Brandão, pediatra da Sociedade Beneficente Israelita Brasileira Albert Einstein, nos explica que a síndrome de Down é uma condição genética, em que a pessoa nasce com 3 cópias do cromossomo 21 em suas células ao invés de 2. Por isso também é conhecida como Trissomia do par 21. Ela diz ainda que é muito importante saber que esta condição genética não tem qualquer relação com raça, condição socioeconômica, religião, nacionalidade, ou qualquer fato ou ação que a mãe ou o pai tenham realizado antes ou durante a gestação.

Ter síndrome de Down é apenas uma das características de uma pessoa, mas não a define. O ser humano é diverso, complexo, extraordinário e único! Por isso, não é adequado chamar alguém de “Down”, ou “o Down”. Quer um exemplo? É muito mais respeitoso e humano dizer “meu colaborador com síndrome de Down”, do que “meu colaborador Down”, ou ainda “meu colaborador é Down”. O Ricardo Nunes (primeiro personagem que citamos aqui) é a primeira pessoa que os visitantes encontram quando chegam na recepção de sua empresa. Ele é super atencioso, simpático e competente. Mas não se engane, pois essa é uma característica do Ricardo, “não da síndrome de Down”.

 

 

 

 

 


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