A “Família Monoparental” e a valorização da Equidade de Gênero

Por: Lincoln Tavares de Melo

A chamada “família tradicional” não é o único modelo exitoso para a formação de pessoas de valor.

Um estudo feito pela Universidade de Sheffield, no Reino Unido, revela que as crianças criadas em famílias somente com um dos pais (chamadas de monoparentais) podem se desenvolver plenamente, tanto quando nas famílias chamadas “tradicionais”, com pai e mãe. Vale ressaltar que essa abordagem ou terminologia aplicada que destaca a “parentalidade” é muito mais inclusiva e respeitosa, pois vai muito além do modelo patriarcal que só reconhece uma família quando há a figura masculina.

Para os pesquisadores, o estudo desafia as narrativas políticas e públicas comuns em torno das famílias monoparentais. “Crucialmente, há sinais claros de que o bem-estar das crianças não é afetado negativamente por viver dentro de um lar de “pais solo”. Essa nova visão da vida familiar deve agora ser refletida na formulação de políticas e pesquisa. Ignorar essas tendências corre o risco de ficar fora de contato com a realidade das vidas cotidianas e com o cenário familiar do Reino Unido”, conclui o líder da pesquisa, professor Sumi Rabindra Kumar.

Aqui no Brasil, ao contrário do que se propala via “senso comum”, o modelo de “família tradicional” que, em 1995, correspondia a aproximadamente 58% das famílias, caiu para 42%, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015. Portanto, não nos parece coerente ignorar essa realidade de uma perspectiva da equidade de gênero e das inúmeras possibilidades de modelos familiares.

Além disso, segundo dados colhidos pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), em 2005, 10,5 milhões de famílias já eram compostas por mulheres sem cônjuge e com filhos, sendo elas as principais responsáveis pela criação dos mesmos. Nos últimos 10 anos, o número de “mães solo” no Brasil aumentou em mais de um milhão. A expressão “mãe solo” também é mais adequada e coerente com os tempos atuais. Já que o termo “mãe solteira” é carregada de preconceitos e estereótipos machistas. Como disse recentemente o Papa Francisco: “Não existe mãe solteira. Mãe não é estado civil”.

Ou seja, esse estudo do Reino Unido também lança luz sobre a importância de discutirmos novas formas de encarar a parentalidade, dividindo as responsabilidades 50/50 entre homens e mulheres com relação à criação / educação dos filhos – sejam famílias lideradas pelas mães, sejam lideradas pelos pais. É uma ótima oportunidade de debatermos os benefícios e a naturalidade de modelos outros de famílias. Pois, segundo a pesquisa, não há comprovação de que as crianças criadas somente pela mãe ou pelo pai de tornem adultos “desajustados” como ouvimos recentemente.

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Matéria original: Revista Crescer.

 

Lincoln Tavares de Melo, educador da Consolidar – Diversidade nos Negócios.


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