Exercitemos o nosso Protagonismo e Lugar de Fala em 2019!

Por: Lincoln Tavares de Melo

Só há uma pessoa que pode ser protagonista da própria história: ela mesma. Óbvio, não? Sim, é. Mas é preciso falar ainda mais sobre o “nosso lugar” neste protagonismo. Protagonismo em relação a que? Todos temos o nosso lugar de fala. Okay, isso está claro. Mas ter lugar de fala não significa ser protagonista daquilo que defendemos ou nos engajamos, como por exemplo, os chamados pilares da diversidade ou grupos de afinidade (pessoas com deficiência, afrodescendentes, LGBT+, mulheres, maturis, etc). E isso é ótimo! Uma das últimas conversas de trabalho que tive em 2018 foi com o querido Ricardo Sales, que me inspirou a falar novamente sobre isso.

Durante todo o ano de 2018 estudei, pesquisei e participei de diversas rodas de conversa, workshops e conferências sobre temas ligados à diversidade, em especial às questões relacionadas ao machismo, feminismo, paternidade ativa/responsável e o universo LGBT+. Nada demais, já que trabalho numa empresa de educação, a Consolidar – Diversidade nos Negócios, há quase cinco anos e essas temáticas fazem parte do nosso dia-a-dia, além é claro da inclusão socioeconômica das pessoas com deficiência, maturis (pessoas com mais de 60 anos), afrodescendentes, entre outros.

Mas gostaria de destacar dois eventos em especial que foram ainda mais transformadores para mim: o Fórum WEPs 2018 (Fórum dos Princípios de Empoderamento das Mulheres), promovido pela ONU Mulheres, Organização Internacional do Trabalho (OIT) e União Europeia e o II Diálogos de Diversidade GPA, aberto num de seus dias para o publico em geral. Ambos serviram para me ajudar, e muito, no aprofundamento de uma questão até então inquietante para mim: o tal “Lugar de Fala”, conceito que já escrevi em outra oportunidade, mas ainda buscava por outros elementos que me ajudassem a amadurecer melhor o entendimento sobre o tema.

Naturalmente, no WEPs 2018 eu não era um protagonista. No entanto, os painéis de debate, apresentações de pesquisas, campanhas, cases, foram extraordinários e contribuíram demais para o nosso aprimoramento relacionado principalmente à luta pela equidade de oportunidades entre mulheres e homens no mercado de trabalho e na sociedade como um todo. Ou seja, eu não era um protagonista em meio a todas aquelas mulheres. Elas eram. Mas eu tinha o meu lugar de fala para exercitar a empatia, aprender com elas, dialogar e chegar o mais próximo possível do entendimento de suas demandas, necessidades e reivindicações.

Costumo dizer que não sou (e não posso ser) feminista, mas sim, um entusiasta do feminismo, pois posso exercer um lugar de fala tendo a clareza que não sou protagonista. E é fundamental a compreensão de que, se sou um homem, cisgênero e heterossexual não posso, definitivamente, usar expressões como “eu imagino o que vocês passam”, “eu sei como é”, ou até mesmo “se eu fosse você faria diferente”. Não. Da mesma forma que não poderia usar essas expressões ao dialogar com pessoas LGBT+ e afrodescendentes, por exemplo.

No evento no Grupo GPA, haviam duas palestrantes que eram o motivo principal da minha participação: Djamila Ribeiro, filósofa, feminista e acadêmica reconhecida internacionalmente e Juliana de Faria, jornalista e idealizadora do “ Think Olga ” e da campanha “Chega de Fiu Fiu”. Ambas estavam lá para falar, entre outras coisas, exatamente sobre o tal lugar de fala. Sou fã das duas e elas mandaram muito bem! E uma resposta de Djamila, em especial, foi um baita insight (ou “cair de ficha” para os mais velhos) para mim. Ao ser perguntada (por um homem) sobre o lugar de fala dos homens quando o assunto é feminismo (ou o que está relacionada a), ela foi fulminante: “Quer ajudar? Dialogue com os seus.”

A recomendação da Djamila, que até pode parecer meio ríspida e, sinceramente, num primeiro momento, até achei mesmo que foi. Mas contribuiu muito para a minha trajetória no sentido de me tornar um homem melhor e que ajude outros homens a fazerem o mesmo. Afinal de contas, é recomendável refletir sobre o nosso lugar de fala (homens) à luz do protagonismo das mulheres e de conceitos como o “mansplaining” e o “bropriating”, por exemplo, que corroboram para perpetuar um complexo sistema de crenças machista sobre a nossa relação com as mulheres.

Em 2018 se falou muito sobre Diversidade e Inclusão nas corporações. Que ótimo! Desejo que em 2019 avancemos ainda mais, tendo como base um olhar mais empático e humano, que valorize o lugar de fala de cada um sem perder de vista o respeito pelo protagonismo das pessoas que “sentem na pele” o preconceito e a discriminação com relação à sua orientação sexual, cor da pele, características físicas, sensoriais ou intelectuais, idade e até mesmo à sua expressão de gênero.

Lincoln Tavares, educador da Consolidar – Diversidade nos Negócios.


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